SAUDADE
Acredito que nenhuma dor seja maior do que aquela causada por um dos sentimentos mais íntimos de um ser humano: a saudade. O sentimento de rejeição, o de traição, o de separação... Todos eles deixam sequelas, mas não são permanentes. A saudade, entretanto, não é fácil de superar. A saudade é um meio de nos mantermos vinculados a algo que não queríamos perder, como a saudade que sinto do meu pai. Dessa forma, o sentimento torna-se um tênue fio de Ariadne, que traça o complexo caminho dol abirinto das emoções. Não há como reverter o irreversível, mas há como preservar na memória aquilo que desejamos guardar no museu dos nossos grandes sentimentos. A saudade é também o par perfeito para outro sentimento profundo: o de solidão. Não se trata da solidão por falta de companhia, mas daquele sentimento perene de incompletude, de vazio interior, da falta permanente de algo que nunca acontece. A saudade, nesses casos, é uma forma de justificar pelo passado a incompletude do presente e, ao mesmo tempo, de jamais permitir que aquilo que se vive seja de alguma forma mais adequado ou prazeroso do que aquilo que já foi vivido e se tornou idealizado pela saudade. Sentir saudade dos lugares e das pessoas é um forma de recuperar as experiências, de revivê-las da maneira que gostaríamos que tivessem sido. Sentir saudade é como estar preso a um tempo diferente daquele em que vivemos, é como viver um universo paralelo no qual todas as fantasias e sonhos são possíveis e realizáveis. Eu me tornei um poço muito profundo de saudades: saudades dos gestos, saudades do cheiros, saudades da voz, saudades das lágrimas, saudades de tudo que foi vivido e daquilo que ainda não foi. Saudades do passado e do futuro, saudades daquilo que está tão perto e tão distante, tão forte e tão incompleto. Sinto saudades porfundas de tudo que vivi, mesmo que a distância dure pouco. Sinto dor por não me restar nada a fazer, a não ser esperar e reviver as lembranças que tornam o meu dia mais alegre, meu coração puro e minha alma livre, até que a morte me separe delas.
Escrito por Aureliano Buendia às 14h56
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