Cem Anos de Solidão


CARÊNCIA DE SENTIDO

Durante muito tempo me preocupei além da conta em buscar um sentido para estar vivo. Pra ser bem sincero, ainda me preocupo bem mais do que deveria com isso. Quando era mais novo e, por isso mesmo, sofria da idiotia de me achar auto-suficiente e conhecedor de todas as respostas que precisava, tinha uma certeza: o sentido da vida estava no amor. Sim, o sentido da vida era amar e ser amado. Sentir frio na barriga, se jogar impulsivamente nas próprias emoções. A vida pra mim só teria graça se eu pudesse me emocionar e sentir até o último limite das minhas forças. Essa época da minha vida muitos que estão lendo este texto acompanharam. Foi um período conturbadíssimo, como não poderia deixar de ser, no qual havia quem dissesse qu eu era "a pessoa mais romântica que conheciam, no sentido mais literário da palavra". Não me arrependo dessa época, era um tempo em que a minha arrogância me dava uma sensação de segurança, eu me arriscava mais. E quem se arrisca sempre acaba petiscando. Um dia caí do cavalo, porque a vida sempre mostra aos idiotas o quanto são idiotas. E nada é mais idiota do que se achar auto-suficiente. Isso sem contar que o "amor" que eu acreditava era algo doentio, coisa de depressivo-melancólico mesmo, que só serve pra destruir as pessoas. E isso durou até uns 2 ou 3 anos atrás.

Hoje em dia continuo um idiota. Menos idiota que antes porque ao menos tenho a consciência da minha condição. Mas ainda não me sinto alguém preparado pra enfrentar a vida como se deveria. Ao menos, perdi minhas ilusões românticas com o amor e tratei de deixá-lo para o obra ficcional de Gabriel Garcia Marquez, pois, se ele ele existe, certamente é como na obra de Gabo.

Passei a pensar que talvez fazer grandes coisas, deixar uma marca no mundo pudesse dar sentido à vida. Entretanto, fazemos as grandes coisas quando não estamos pensando em fazê-las. Até as fiz, mas exatamente quando esta não era a minha preocupação. Ser reconhecido também não é a resposta que procurava. Não existe imortalidade possível: mesmo que deixemos alguma marca que perdure muito tempo, o que será imortalizado será certamente uma imagem que nada tem a ver com a nossa humanidade, com a nossa personalidade. Apenas mitos, lendas, histórias e muitas vezes falsas imagens criadas no ritmo do quem conta um conto aumenta um ponto.

Enfim, ando perdido no mundo. Afinal de contas, é melhor ir vivendo e não ficar se preocupando em procurar sentidos materiais ou transcedentais pra nada. O negócio é sobreviver às tempestades, aproveitar ao máximo os períodos de bonança e, de preferência, tentar ser feliz. Se é que existe felicidade perene (mas isso é tema pra outro post).

Enfim, tem gente por aí que diz que manter um blog é o cúmulo do não-tenho-o-que-fazer. Mas, pra mim, é apenas o resultado de um anseio em compartilhar com o mundo as minhas questões sem depender de ninguém. Essa mania de pensar e querer entender as coisas é meio chata.  Maldito Adão que foi comer aquele fruto...

 

PS: Será que se eu entrar pra Igreja Universal eu vou encontrar o sentido da vida?



Escrito por Aureliano Buendia às 09h12
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AS MEMÓRIAS QUE DEIXAMOS NAS OUTRAS PESSOAS

 

Para algumas pessoas eu gostaria de ser uma lembrança importante. Uma lembrança boa, pois há muitas coisas boas a se lembrar. Gostaria que minha presença provocasse nostalgia, aquele frio na barriga, aquela sensação de leve desconforto que nos faz querer recuperar um passado nem tão remoto. Queria que ficassem tão abaladas quanto eu, que sentissem o mesmo impulso que sinto de abraçar como se nada tivesse passado, como se o tempo tivesse parado no último segundo antes do desastre acontecer. Queria que os olhares não se cruzassem por puro medo de ceder, por receio de serem denunciados. Queria fazer parte das emoções dessas pessoas, queria fazer diferença por tudo que as dediquei. Era isso que eu queria. É com isso que gosto de me iludir.

 

Não queria que fosse como é. Não queria ser uma lembrança de algo de que se envergonham. Não queria que desviassem o olhar porque não saberiam o que dizer ou porque o peso da culpa é maior que qualquer coisa.

Não queria servir que espelho para o que têm de ruim.

Mas se eu fui pouco importante pra elas e a lembrança que deixei foi a culpa que sentem, o que há de se fazer?

Não se iludir, meus caros... E nunca superestimar o papel que temos na vida das pessoas...

 

 



Escrito por Aureliano Buendia às 07h59
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CINEMA E REFLEXÕES SOBRE A VIDA

Este final de semana foi caseiro. Aproveitei pra tirar o atraso quanto a muitos filmes que deixei de assistir no cinema nos últimos meses e devorei sete vídeos, alguns deles merecendo menção tanto pelo lado positivo quanto pelo lado negativo.

 

Na Companhia do Medo: assim que encontrei o filmE na prateleira da locadora tratei de pegá-lo antes que outro o fizesse antes de mim. Já faz um ou dois meses que várias pessoas diferentes me recomendam este filme como o mais amedrontador e apavorante que já viram. Tinha tudo para sê-lo, mas definitivamente não me assustou. Mesmo lidando com o sobrenatural, coisa que normalmente me assusta, o efeito não foi o que eu esperava. Acabei me decepcionando. Creio que não consegui penetrar totalmente no universo do filme por se tratar de um ambiente de presídio. Não faz parte da minha realidade. Não me assustou. Entretanto, creio que corações mais fracos não passam incólumes por este filme.

 

Rota da Morte: não se trata de nenhuma grande produção. Não conta com estrelas no elenco, não tem grandes efeitos especiais e tem um roteiro que numa primeira análise parece previsível. Uma família viajando na noite de natal por uma estrada deserta dá carona para uma mulher com uma criança no colo. Depois disso, começam a morrer um a um. Acontece que este filme é REALMENTE apavorante. Pessoas perdidas numa estrada deserta que atravessa um bosque e a estrada não acaba nunca. Andam aparentemente em círculos, são perturbadas por fantasmas, enlouquecem e morrem um a um. As cenas são muito bem feitas e o final surpreendente. Ao contrário do filme anterior, trata-se de um universo isolado, não urbano, muito mais solitário e intimidador, pelo menos pra mim. É daqueles filmes que eu assisti sem me mover muito no escuro do meu apartamento, pois tinha sensação de que a qualquer momento surgiria ao meu lado o rosto daquela maldita mulher...Viajar de noite perto de uma floresta é uma coisa que não consigo achar segura desde que me entendo por gente. Vale a locação pra levar uns bons sustos.

 

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças: não tenho mais dúvidas de que foi um grande pecado ter deixado de ver este filme enquanto estava em cartaz no cinema. Mas o que importa é que agora o assisti. O filme tem uma proposta muito interessante. É uma grande fábula sobre o conflito que mais me atormenta a vida. As relações amorosas, a memória e a necessidade de esquecimento. A tentativa de apagar as memórias de uma forma clínica e a tentativa de resistência durante a aplicação do procedimento, a luta hercúlea travada pelo personagem para desistir e preservar as memórias da sua relação, mesmo que provoquem sofrimento, é comovente. Pra mim, ao menos, foi muito forte a relação que fiz com a minha resistência em esquecer aquilo que eu sei que seria melhor que esquecesse. Ou será que não seria melhor? De acordo com o filme, não. Mas não quero em prender a essas ilusões. A vida não é como a ficção necessariamente. É uma linda história. Ainda mais surpreendente é carregar no nome uma citação de um poema de Alexander Pope, poeta do neoclassicismo inglês, e paradoxalmente utilizá-lo numa perspectiva absolutamente romântica. São as várias faces da poesia.

 

Dogma do Amor: em primeiro lugar, fica o meu protesto por mais este péssimo nome escolhido para o Brasil. O filme só tem esse nome porque seu diretor é Thomaz Winterberg, um dos signatários do manifesto Dogma 95, junto com Lars Von Trier (ambos diretores dinamarqueses), que rendeu ao mundo grandes filmes, entre os quais destaco Festa de Família, o filme mais forte que assisti em toda a minha vida. Prefiro o nome original. It’s all about love. O filme é um grande exercício filosófico sobre a humanidade. As pessoas estão morrendo de melancolia, a temperatura do mundo vem baixando a ponto de fazer nevar no verão. Fenômenos fora do comum, como pessoas voando, assolam Uganda. Uma espécie de caos cósmico atnige o planeta e parece que a natureza está refletindo os rumos do coração humano. É uma grande história de amor e desilusão, uma reflexão profunda sobre os caminhos da humanidade. Nem sei mais o que dizer. Só mesmo assistindo pra saber a sensação de desconforto e identificação provocada pelo filme. Ao mesmo tempo, uma sensação de esperança...

 

Sobre cinema, ficamos por aqui.

 



Escrito por Aureliano Buendia às 07h59
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