ÁGUAS CALMAS SÃO PROFUNDAS
Acho que provoquei algumas interpretações erradas a respeito das coisas que penso sobre as relações e os sentimentos. Por isso, este post é uma tentativa, talvez vã, de esclarecer algumas coisas e desfazer alguns equívocos que sei que eu mesmo provoquei colocando as coisas da forma que as coloquei.
Primeiro, afirmo que eu não acredito que possa controlar minhas emoções, paixões e sentimentos. Acho que sempre sou mal interpretado quando digo que viver emoções não é necessaraimente sucumbir a elas sem nenhum critério e perder toda a capacidade de refletir sobre as coisas, ou quando digo que viver um sentimento não significa necessariamente dar demonstrações de loucura, como se quem não o fizesse não pudesse estar vivendo sentimentos assim. O que eu acredito, e é o que sempre tentei explicitar, é que precisamos saber administrar nossas emoções e conviver com elas. Isto mesmo: viver as emoções. Viver as emoções para que a tentativa se sufocá-las não provoque uma reação que as faça dominar por completo a nossa vida. A intensidade nada tem a ver com a loucura. É possível viver sentimentos intensos sem agir impulsivamente. É possível ser profundo sem perder o discernimento. Ser contido nada tem a ver com insensibilidade. Infelizmente, a maioria das pessoas confunde estes dois conceitos.
Segundo, eu não acredito que apaixonar-se seja algo ruim. Mais uma vez sou mal intepretado por dizer que estar apaixonado não é necessariamente bom. Eu já passei por muita coisa e já fui uma pessoa controlada pelas paixões. E isso não me levou a muita coisa, levou mesmo a muito sofrimento. Evidentemente, teve também as suas compensações e não me arrependo de tê-las vivido. Entretanto, digo que não preciso e que não é saudável pra ninguém estar sempre apaixonado. Afinal de contas, ser volúvel nada tem a ver com paixão. E isso é muito confundido. As pessoas inventam paixões para se senitrem completas. E na maior parte das vezes não passa de um mero entusiasmo que evapora na mesma velocidade de uma pedra de gelo jogada numa fogueira. Por fim, já passei por muita coisa e não sinto necessidade de vivenciar tudo isso de novo. Faz parte do processo.
As coisas têm que valer a pena. A pessoa que estiver ao meu lado tem que valer a pena. Só não tenho pressa, pois não quero me enganar com alguém de novo. Nos últimos tempos isso foi muito comum na minha vida. Não sou descrente e muito menos azedo. Sou um cara contido, mas de muita intensidade.
Já fui um oceano de emoções. Hoje sou uma grande lagoa. Mas prestem atenção no título deste texto.
Escrito por Aureliano Buendia às 08h48
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