Razão e Sensibilidade
Não se trata do clássico romance da inglesa Jane Austen. Trata-se das contradições em que muitas vezes nos encontramos quando a vida nos prega peças. Não falo disso especificamente por um fato recente, embora seja o que me incomoda atualmente, mas porque isto já me aconteceu mais de uma vez nos últimos anos.
É certo que os fatos andam de forma muito mais acelerada do que a capacidade de elaboração da nossa sensibilidade. Muitas vezes permanecemos numa prisão: nossas emoções ficam vinculadas a uma abstração, algo que simplesmente não existe, mas que é algo de que gostamos e de grande importância para nós. Pior ainda quando acontece em relação às pessoas.
Mesmo que fatos tenham acontecido e que, racionalmente, tenha-se total clareza de que a imagem que temos não corresponde à realidade, continuamos presos ao que nos conquistou. Mesmo sabendo que aquilo não existe, o descompasso entre a razão e a sensibilidade é gerador de muitas confusões. E pra sobreviver a isso é preciso manter duas coisas bem vivas: memória e força de vontade.
Afinal, como podemos simplesmente isolar todas as coisas boas que sentimos, as expctativas que criamos e as ilusões que vivemos assim, de uma hora para outra? Não dá. Entretanto, a memória viva de das decepções e das mágoas joga um balde de água fria nestes arroubos sensíveis, mas ao mesmo tempo não apaga as marcas boas das ilusões que queremos manter vivas.
Acabamos vivendo presos a uma metapeceptividade. E talvez não seja possível uma síntese.
O jeito seria conseguir viver sem ilusões ou expectativas em relação às pessoas que nos cativam. Mas isso seria o mesmo que tentar viver sem respirar...
Escrito por Aureliano Buendia às 07h03
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