Não Faz Mal
Acabo de chegar da pré-estréia de Benjamin, adaptação para o cinema do romance homônimo de Chico Buarque de Holanda. Apesar de uma cena que dói de tão clichê, tenho de admitir que saí do cinema impressionado e tomado pela atmosfera da história. Uma história forte, bem construída e que nos provoca choques. Um universo fictício capaz de fazer com que emerjam reflexões muito profundas sobre a condição de SER humano.
O mais marcante, falando de formm totalmente subjetiva, é como o filme trabalha e demonstra que a maldade não está ligada diretamente à força e muito menos à intencionalidade de provocá-la. Personalidades fracas e pessoas irresponsáveis, muitas vezes inconseqüentes, acabam sendo responsáveis por injustiças e crueldades de dimensões descomunais na vida de quem cruza o seu caminho. Quem já passou por uma situação assim e já cruzou a vida de alguém assim sabe muito bem como as cosias são. Eu, infelizmente, posso dizer que sei.
Além disso, fica a marca sempre indelével do caráter trágico das histórias de amor. E de como a gangorra do sofrimento e da alegria provocada pelas paixões intensas acaba levando um ser humano a um estado de loucura e alucinação sem descrição possível.
A memória presa a um passado que nãos e desliga do presente e faz alinha de tempo da existência seguir sempre de forma descontínua, em idas e vindas de emoções, alucinações e fatos que podem dar o único sentido para a velhice numa vida de perdas.
Não faz mal é a frase que dá todo a sentido ao filme. Pessoas fracas sempre acham que "não faz mal". E depois choram e se dizem arrependidas e culpadas. Será que o choro de Ariela merece consideração?
Não há salvo condutoo para ninguém. Ninguém é inocente. Apenas o que posso dizer agora é: não percam este filme e, depois de assiti-lo, não se percam de si mesmos.
Escrito por Aureliano Buendia às 21h33
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Gagá
Quando eu tinha dez anos a menos de idade muita, mas muita gente mesmo, me dizia que eu me comportava como um velho e tinha alma de velho. Entretanto, hoje em dia, perto de completar 28 anos e cada vez mais próximo da casa dos 30, a minha sensação é inversa.
Tenho a sensação de que meu corpo envelehece com muito mais rapidez do que a minha mente. Isto parece óbvio, mas não é. Afinal, a tendência é de que aconteça o inverso. Tenho pensado muito sobre isso.
A esta altura do campeonato os anos passam muito mais rápido e a inércia nos rende muito mais caro. A cada dia que passa vamos percebendo que somos realmente mortais e que a vida muda.
Hoje em dia ainda me relaciono com gente 10 anos mais nova do que eu. E a maioria delas afirma que não percebe sou tão mais velho assim. Generosidade deles. O fato é que a idade está chegando e a minha vida ainda parece a de um universitário de primeira viagem em algumas circunstâncias.
Ai meu deus, acho que estou ficando gagá.
Escrito por Aureliano Buendia às 20h06
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Frases Geniais
"Eu adoro este lugar porque sempre tem mulheres babando por mim e me secando".
Do meu modesto amigo Eduardo Tarouco, referindo-se ao Copão.
Escrito por Aureliano Buendia às 20h00
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Fuga das Galinhas
Nos últimos 3 dias comi 2 X coração do Speed Lanches e fui à churrascaria uma vez. Hoje à noite, ao saborear aquela maravilha do speed, e só quem é de POA e já comeu lá pode saber do que estou falando, fiz uma reflexão importante. Acabei me dando conta que naquele momento eu estava mastigando os corações mais ou menos umas 30 ou 40 galinhas. Somados os outros 2 dias, acho que comi o coração de umas 115 galinhas. As galinhas são animais simpáticos. Colocam ovos, ciscam. Até cantam pra gente acordar. Não incomodam ninguém.
Porém, lá vamos nós torcer o pescoço das coitadinhas e usar seus órgãos internos para pratos saborosos com os quais nos deleitaremos sem nenhuma culpa no coração. Apenas ficaremos sentindo aquele gosto delicioso de uma carninha bem tostada, tendo água na boca e nos refestelando com grandes quantidades. Não vamos pesar que a pobre galinha era matrona de uma enorme prole de pintinhos que agora serão nutridos para seguir o mesmo destino.
Adquiri uma simpatia muito grande pelas galinhas depois que assiti ao desenho animado Fuga das Galinhas, em 2000. Acho que nós humanos somos totalmente cruéis.
Vejam só as vacas, coitadas. Passam a vida passivamente comendo capim e ruminando sem incomodar ninguém. Algumas ainda nos fornecem leite. Daí vem uns seres que se consideram superiores e lhes matam, cortam e comercializam seus órgãos internos e externos nas mais variadas formas e inventivas receitas culinárias. Intestinos, fígado e até mesmo testículos são comidos em restaurantes caros.
Muito antes de alguns leitores dete blog nascerem, lá por 1982, passou no SBT um seriado chamado "V, a Batalha Final", que consistia num bando de extraterrestres que dominam a Terra, escravizam a humanidade e usam a carne humana para alimentar o seu povo. Foi apavorante aos meus 6 anos de idade.
Não sei porque a humanidade faz essas coisas. Há quem diga que vacas e galinhas são inteligências inferiores e estão na nossa cadeia alimentar.
Se inteligência inferior for argumento, acho que muitas pessoas que andam por aí dariam um bom alimento para as vacas e as galinhas. Só que ainda por cima essas pessoas têm a carne muito dura...
Escrito por Aureliano Buendia às 19h52
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A Falta de Memória
Hoje, depois de jantar me uma boa churrascaria de Porto Alegre, tive uma excelente idéia para um post. Acontece que a conversa fluiu e eu acabei esquecendo. Agora estou com aquela sensação esquisita de ter uma informação residual na cabeça, que eu sei que está lá e não consigo acessar. É como se a cada instante a lembrança fosse emergir. Mas não emerge. É chato. Um dia eu não fui assim. A memória afetada pode ser um dos primeiros sinais graves da velhice se aproximando.
Assim como ainda pior é a falta de memória das pessoas e a falta de memória das instituições. Como se pode permitir que não haja memória institucional sobre os acontecimentos? Meu deus, a cada no que passa parece que há pessoas querendo reinventar a roda, insistindo em fazer o que já foi tentado e já fracassou. E na maior parte das vezes isso é resultado da falta de acesso a informações sobre coisas que aconteceram não muitos anos antes.
Eu mesmo vivo isso. Afinal, atravessei longos 7 anos vivendo direta ou indiretamente o movimento estudantil da UFRGS. Hoje em dia convivo com pessoas que tem referências de alguns fatos que vivi apenas como lendas, outras que tratam como se fosse um período anterior a era glacial. Talvez seja. Mas eu me lembro do que eu vi e do que eu vivi. Lembro o suficiente pra ter aprendido com tantas bobagens que fiz e que vi sendo feitas. O suficiente pra me tornar impaciente quando vejo os mais novos seguindo o caminho mais curto pra cometer os mesmos erros. Talvez esteja chegando a hora da aposentadoria.
Tenho muito medo de perder a minha memória. Quem sabe algum dia escreva sobre tudo que vi e ouvi. Mas pra isso é melhor esperar que todos os atores destas cenas estejam fora da ativa, pois sempre haverá problemas quanto ao que for dito.
Escrito por Aureliano Buendia às 23h53
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