SE A VIDA É...
A tristeza me deixa deprimido, a depressão me deixa com menos vontade de viver a vida e, por conseqüência, vivo menos. É por essa razão que acredito que a tristeza é muito mais inspiradora para a criação literária: penso mais, elaboro mais e escrevo mais sobre meus sentimentos. Quem ler meu blog com mais atenção perceberá que os melhores textos e a maior quantidade deles estão concentrados nas piores fases dos últimos anos. Atualmente, quando a vida anda boa, os sonhos estão realizados e faço quase tudo que desejo, escrevo muito pouco. Acho que a falta de tristeza essencial me tira a inspiração. O mais inacreditável é que a inércia acaba me impedindo de escrever sobre as coisas cotidianas, sobre as impressões que tenho do mundo, da nova vida, dos novos filmes, das novas leituras, das novas pessoas. O fato é que eu gosto de escrever e devia fazê-lo com mais freqüência, não somente pelo registro do momento, mas também pelo aprimoramento da técnica e do senso de autocrítica (um bom eufemismo para senso do ridículo). Este texto é resultado do comentário de um leitor neófito que, após ler meus textos mais antigos, concluiu que eu sou uma pessoa desgostosa com a vida e infeliz. Não posso negar que já fui assim e que talvez um pouco disso continue fazendo parte de mim, mas hoje em dia sou diferente. Não passei a ser crente na humanidade nem me tornei o ser humano mais otimista do mundo, mas posso afirmar que a vida é muito mais do que o gosto azedo do sofrimento que gostamos de sentir em muitos momentos de nossas vidas. Ainda sou o mesmo nostálgico, o mesmo romântico, mas não mais o mesmo derrotado. Quem sabe escrever sobre as coisas boas da vida faça algum sentido. Vou tentar a partir de agora.
Escrito por Aureliano Buendia às 01h28
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